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Eliana:
Como um pai de 3 filhos, toma uma decisão de produzir um filme
sem experiência alguma como cineasta?
Powers: Em uma palavra: ESPERANÇA.
Esperança que uma pessoa POSSA fazer a diferença; (nós
podemos!)
Esperança que se você dizer ‘sim’, o universo realmente
te apoiará; (o universo sempre apóia!)
Esperança que algo mágico realmente exista nesse mundo;
(realmente existe!)
Esperança de um futuro melhor.
Eliana: Parece que você começou
com uma pergunta básica: ‘Se você tivesse 15 minutos
com um ser iluminado, quais perguntas faria?’ E isto levou as
20 perguntas seguintes feitas durante as entrevistas. Quais
das 20 perguntas foram mais fáceis para as pessoas expressarem?
Por que? Quais das 20 perguntas foram as mais difíceis para pessoas
responderem? Por que?
Powers: Depois de perguntar a muitas pessoas da minha
família, amigos e vizinhos sobre quais perguntas eles gostariam
de ter uma resposta, nos ficamos com uma pilha enorme de papeis na mesa
da cozinha de casa. Muitas perguntas…e muito pouco tempo! Então
conseguimos chegar a 20 perguntas.
Quando começamos a fazer essas perguntas durante as entrevistas
com as pessoas, parecia que as perguntas que precisavam de respostas
baseadas em experiências e opiniões pessoais (Qual o seu
desejo para o mundo? Como podemos obter a paz? Quando a Guerra e algo
justificado?) eram mais fáceis de se responder do que as perguntas
mais do tipo esotéricas (Descreva Deus? O que acontece com você
depois que morre?)
E, então, e claro, a 'pergunta', "Qual o significada da
vida?" foi o verdadeiro desafio! Uma das cenas
mais comentadas e o segmento de 12 minutos que explora esse tópico.
Essa pergunta: “Qual e o significado da vida?” foi a pergunta #1 que
todos pareciam querer a resposta. Enquanto parecia um pouco clichê
… logo aprendemos a dificuldade que era para os entrevistados realmente
responder essa ‘pergunta’. Era fascinante para nos que tantas pessoas
nunca tivessem realmente pensado muito a respeito de um tópico
tão fundamental! Mas, quanto mais eles lutavam contra o conceito,
maior a busca do sentido de tudo isso que parecia continuar alem dos
desafios e a trivialidade da existência do nosso cotidiano – voltando-se
para os pensamentos de um propósito ‘maior’ e noções
de divindade. Isso criou um contexto perfeito para a transição
ao material rico que tínhamos para a resposta dos nossos entrevistados
quando foram perguntados para ‘Descrever Deus’.
O mais interessante,
e que a exploração desse conceito de ‘DEUS’
parecia transcender a linguagem e as crenças de ‘religião’,
e voltar-se para espiritualidade e filosofia….e, retornando a busca
de um significado de vida pela humanidade.
O resultado foi ‘A Cena do Rio’, que
e uma das minhas favoritas.
Eliana: O que ‘Unidade’ significa
para você?
Powers: Este e um conceito que evolui
tanto que eu prefiro nem abordá-lo por inteiro hoje…pelo medo
de que amanhã eu possa olhar o que disse aqui e sentir que eu
não sabia o suficiente de tamanha verdade. Então, permita
que eu possa compartilhar uma estória da jornada de SOMOS
TODOS UM...
O som da bateria e aparece SOMOS TODOS UM: O Filme
começa a criar um clímax; ha um momento profundo no filme
onde o conhecido Mestre espiritual, FATHER THOMAS KEATING resume a jornada
espiritual dessa forma:
“O inicio de uma jornada espiritual e a realização; não
só a informação, mas uma convicção
real interior que há um poder maior, ou Deus. Ou, para facilitar
isso para todos, que há um ‘Outro’; O maiúsculo. O Segundo
passo, que e tentar tornar-se o Outro; e ainda um O maiúsculo;
E… finalmente, a realização de que não há
um outro. Você e o outro são UM; sempre foram, e sempre
serão.”“
Simplesmente, antes de o filme estar completo, não tínhamos
aprendido o suficiente ainda para criar o que precisava ser dito ate
esse ponto do filme ate que vivenciamos a jornada que nos trouxe até
aqui.
Nos inicialmente, pretendíamos iluminar nossa
‘comonalidade’ (ie. Nos todos só queremos ser felizes, dar e
receber, etc…) como um hallmark de UNIdade; mas, a experiência
de conhecer todas essas pessoas, e fazer o filme nos ensinou algo mais
rico e profundo sobre ‘ser UM’ – e transcende noções como
tolerância, e diversidade e ate unidade. Você
pode sentir isso? Se não ainda… Thomas Keating na cena
final ajuda de uma forma bem simples!
Não importa quantas vezes eu assisto a um evento da mostra do
filme (centenas!) eu sempre fico de pe lá atrás para vivenciar
o encerramento do filme com o Father Keating. Ha um saber palpável
que cresce do publico – você pode sentir isso - pois o publico
e lembrado que a verdade tem estado dentro de cada um desde antes que
nasceram: TUDO E UM.
E uma realidade vivenciada agora...a interconectividade de todos. Tem
um poder tremendo! Uma vez que assista ao filme….bem vindo ao clube.
Eliana: Qual foi o catalista na sua decisão
de fazer esse Documentário?
Powers: Como varias pessoas, depois da tragédia
do World Trade Center no dia 11 de Setembro de 2001, nos podíamos
ver as pessoas no mundo inteiro prontas para desmoronarem. Estávamos
todos pessoalmente nos perguntando como poderíamos fazer uma
diferença nesse mundo e ai decidimos tentar criar um filme que
lembraria as pessoas que SOMOS TODOS UM…que somos maravilhosos em nossas
diferenças...que pertencemos uns aos outros.
Nossa esperança era que ao fazer as perguntas chaves e olharmos
nos olhos nos tipos diferentes de indivíduos tentando formular
respostas….haveria algo que nos lembraria que somos UM!
E … FUNCIONOU! Agora recebemos milhares de cartas de pessoas do mundo
inteiro nos dizendo que esse filme mudou suas vidas!
Eliana:
Você passou 2 anos nessa jornada que te proporcionou ouvir perspectivas
diferentes e uma diversidade muito grande entre crenças espirituais
e religiosas. Qual foi a chave em poder conectar com pessoas e permitir
que sua vulnerabilidade viesse à tona?
Powers: Aceitação.
Não mera 'tolerância'—ou ate mesmo 'compreensão'...
mas uma verdadeira aceitação.
As pessoas sabem a diferença! Se você esta simplesmente
'tolerando' as crenças das pessoas, elas sentem esse julgamento
silencioso e irão se expressar de uma forma mais distanciada,
mesmo que seja sutil. Entretanto, se você pode autenticamente
olhar nos olhos dos ‘outros’ sem qualquer tipo de julgamento, eles querem
compartilhar seus pensamentos mais profundos com você.
Talvez, um dos exemplos
mais profundos disso no ‘SOMOS TODS UM: O filme e vivenciado na cena
que envolve o morador de rua, um jovem chamado Chris Willis. O público
no mundo inteiro fica emocionado com a vulnerabilidade desse jovem diante
da câmera; porque representa todos nos. A parte que teme ser exposta.
Ironicamente, a coragem desse jovem com sua vulnerabilidade no nosso
filme tocou milhares de vidas! E como cineastas, humildemente participamos
dessa jornada.
Eliana: Todo filme geralmente começa com uma
visão e o cineasta tem algo a dizer, algo a expressar. Você
pode falar mais sobre a sugestão de Ken Wilber em como você
poderia abordar o documentário? Acredito que ele trouxe um elemento
essencial de ‘tensão’ para o documentário.
Powers:
Enquanto preparávamos o inicio da edição das seqüências
de horas incontáveis de entrevistas de SOMOS TODOS UM, tivemos
a rara oportunidade de encontrar e consultar com o Filosofo conhecido
Ken Wilber sobre o tema da UNIdade. Entre os desafios que eles nos deixou,
ficou o desafio de NAO fazer um filme ‘kumbaya’ de só apresentar
um monte de opiniões parecidas…mas, permitir uma hierarquia de
pensamento, criando um tipo de uma escada de ponto de vistas, e também
incluir e transcender as perspectivas diversas sem comentários.
Como um contador
de estórias, meu objetivo era modelar esses desafios em uma ‘tensão’
que seria resolvida ao longo do filme. Eu assisti essa parte do filme
logo no inicio fazer com que o publico se sinta um pouco desconfortável…
E, tudo bem. Eu as vezes brinco que deveria ter colocado um AVISO no
inicio do filme -- "Por favor fique ate o final do filme. Tudo
se resolverá!"
Eliana: Acredito que o Medo e a Paixão caminham
lado a lado. E para mim a ‘tensão’ entre os dois se torna um
‘marco’ mais tarde. O que o Medo e a Paixão significam para você?
Powers:
Meu amigo psiquiatra, Dr. Henry Woodworth (ele sugeriu a pergunta ‘não-verbal’
que e mostrada no filme) tem uma teoria de que o medo, NÃO o
ódio, e o oposto do Amor. É interessante, como o medo
tem sido um tema constante em construir ponto de vista mundiais e foi
um tema que sempre surgiu durante várias entrevistas.
Ao editar o material de SOMOS
TODOS UM, parecia natural criar o segmento da ‘tensão’…Porque:
“O que cresce na realidade criada pela tensão dos opostos que
discutimos anteriormente?” MEDO.
E, de fato, é
a força da PAIXÃO – a vontade de transcender
a contração do medo – que nos leva no dia a dia…no filme
e na VIDA! É muito bonito.
Eliana: Você pode nos contar algumas das melhores
coisas que aprendeu como um ser humano e como um cineasta nessa jornada?
Powers: Alguns anos atrás, nós partimos
mundo afora com uma câmera de vídeo, uma lista de perguntas
e um ‘mantra’: Nos somos TODOS UM. Naquela época
eu acreditava que pegando as respostas por ‘aí afora’, a Verdade
(com ‘V’ maiúsculo) da nossa UNIdade se tornaria conhecida. Mas
com as experiências da nossa jornada comecei a refazer meu entendimento,
eu percebi que faltava uma pergunta na nossa lista… uma pergunta que
era realmente a concepção dessa odisséia: QUEM
SOU EU?
Ha muita sabedoria
a ser adquirida quando se olha ‘lá fora’ e realmente se tenta
entender o mundo ao nosso redor. Mas, se ganha muito mais ao olhar profundamente
no nosso interior para ver a lembrança de quem realmente somos
– isso é ser ILUMINADO.
Em termos Budistas,
eu provavelmente estou milhares de vidas distante de encontrar a verdadeira
felicidade; mas, pelo menos estou tentando me divertir no ‘caminho’…
o …meu caminho.
Talvez isso seja o que UNIDADE realmente significa?!
Eliana: Você gostaria de deixar uma mensagem
para nossos leitores no Brasil?
Powers: Siga sua Felicidade. Você e a fonte da
sua vida. Tudo existe dentro de você. Você tem o poder.
Viva no momento. Você pode fazer a diferença. Você
quer ir ao cinema hoje a noite?
Com Amor,
Ward Powers