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  Festival de Cinema Espiritual  
  ‘Entrevista com Ward Powers'  
  The Movie ONE "Somos Todos Um"  
The Movie ONE "Somos Todos Um"
Quando o produtor independente Ward M. Powers decidiu realizar SOMOS TODOS UM, foi essa a pergunta que apresentou aos amigos, à família e aos sócios. Das respostas, extraiu as 20 perguntas que dariam forma ao "filminho" que já despertou interesse e aclamação internacionais em razão de seu apelo à UNIcidade.

Num período de dois anos, os cineastas conseguiram conhecer e entrevistar uma amostragem bem diversificada da espécie humana: alguns dos escritores mais famosos, líderes espirituais, ídolos e mestres, para lhes apresentar "as perguntas mais importantes da vida". O filme SOMOS TODOS UM é a crônica dessa jornada, com trechos das repostas expostas em um mosaico de edição ágil, artística e tematicamente criado para desafiar e inspirar o público a encarar o mundo como ÚNICO.

Logo após o lançamento, ficou claro que o era muito mais que entretenimento. Em poucos meses, universidades, colégios, livrarias, bibliotecas, grupos de jovens, instituições beneficentes, associações profissionais, comunidades religiosas e empresas começaram a exibir SOMOS TODOS UM para estimular o diálogo e a exploração coletiva do mais profundo significado da vida. O interessante é que a reação a esses eventos foi o fato de não ser o filme oferecido em RESPOSTA a essas perguntas… porém um convite para os espectadores mergulharem no mistério da EXPLORAÇÃO dessas questões… juntos.

 
 
Trecho do filme

"É no hábito de ouvir com atenção e falar com gentileza que conseguiremos eliminar as percepções erradas que há em nós, e nos outros. Este é o método elementar de gerar a paz."

THICH NHAT HAHN

     
entrevista por Eliana Guimarães - Colunista MisteriosAntigos.Com
Ward Powers

Eliana: Como um pai de 3 filhos, toma uma decisão de produzir um filme sem experiência alguma como cineasta?

Powers: Em uma palavra: ESPERANÇA.
Esperança que uma pessoa POSSA fazer a diferença; (nós podemos!)
Esperança que se você dizer ‘sim’, o universo realmente te apoiará; (o universo sempre apóia!)
Esperança que algo mágico realmente exista nesse mundo; (realmente existe!)
Esperança de um futuro melhor.


Eliana: Parece que você começou com uma pergunta básica: ‘Se você tivesse 15 minutos com um ser iluminado, quais perguntas faria?’ E isto levou as 20 perguntas seguintes feitas durante as entrevistas. Quais das 20 perguntas foram mais fáceis para as pessoas expressarem? Por que? Quais das 20 perguntas foram as mais difíceis para pessoas responderem? Por que?

Powers: Depois de perguntar a muitas pessoas da minha família, amigos e vizinhos sobre quais perguntas eles gostariam de ter uma resposta, nos ficamos com uma pilha enorme de papeis na mesa da cozinha de casa. Muitas perguntas…e muito pouco tempo! Então conseguimos chegar a 20 perguntas.

Quando começamos a fazer essas perguntas durante as entrevistas com as pessoas, parecia que as perguntas que precisavam de respostas baseadas em experiências e opiniões pessoais (Qual o seu desejo para o mundo? Como podemos obter a paz? Quando a Guerra e algo justificado?) eram mais fáceis de se responder do que as perguntas mais do tipo esotéricas (Descreva Deus? O que acontece com você depois que morre?)

E, então, e claro, a 'pergunta', "Qual o significada da vida?" foi o verdadeiro desafio! Uma das cenas mais comentadas e o segmento de 12 minutos que explora esse tópico.

Essa pergunta: “Qual e o significado da vida?” foi a pergunta #1 que todos pareciam querer a resposta. Enquanto parecia um pouco clichê … logo aprendemos a dificuldade que era para os entrevistados realmente responder essa ‘pergunta’. Era fascinante para nos que tantas pessoas nunca tivessem realmente pensado muito a respeito de um tópico tão fundamental! Mas, quanto mais eles lutavam contra o conceito, maior a busca do sentido de tudo isso que parecia continuar alem dos desafios e a trivialidade da existência do nosso cotidiano – voltando-se para os pensamentos de um propósito ‘maior’ e noções de divindade. Isso criou um contexto perfeito para a transição ao material rico que tínhamos para a resposta dos nossos entrevistados quando foram perguntados para ‘Descrever Deus’.

O mais interessante, e que a exploração desse conceito de ‘DEUS’ parecia transcender a linguagem e as crenças de ‘religião’, e voltar-se para espiritualidade e filosofia….e, retornando a busca de um significado de vida pela humanidade.

O resultado foi ‘A Cena do Rio’, que e uma das minhas favoritas.

Eliana: O que ‘Unidade’ significa para você?

Powers: Este e um conceito que evolui tanto que eu prefiro nem abordá-lo por inteiro hoje…pelo medo de que amanhã eu possa olhar o que disse aqui e sentir que eu não sabia o suficiente de tamanha verdade. Então, permita que eu possa compartilhar uma estória da jornada de SOMOS TODOS UM...

O som da bateria e aparece SOMOS TODOS UM: O Filme começa a criar um clímax; ha um momento profundo no filme onde o conhecido Mestre espiritual, FATHER THOMAS KEATING resume a jornada espiritual dessa forma:

“O inicio de uma jornada espiritual e a realização; não só a informação, mas uma convicção real interior que há um poder maior, ou Deus. Ou, para facilitar isso para todos, que há um ‘Outro’; O maiúsculo. O Segundo passo, que e tentar tornar-se o Outro; e ainda um O maiúsculo; E… finalmente, a realização de que não há um outro. Você e o outro são UM; sempre foram, e sempre serão.”“

Simplesmente, antes de o filme estar completo, não tínhamos aprendido o suficiente ainda para criar o que precisava ser dito ate esse ponto do filme ate que vivenciamos a jornada que nos trouxe até aqui.

Nos inicialmente, pretendíamos iluminar nossa ‘comonalidade’ (ie. Nos todos só queremos ser felizes, dar e receber, etc…) como um hallmark de UNIdade; mas, a experiência de conhecer todas essas pessoas, e fazer o filme nos ensinou algo mais rico e profundo sobre ‘ser UM’ – e transcende noções como tolerância, e diversidade e ate unidade. Você pode sentir isso? Se não ainda… Thomas Keating na cena final ajuda de uma forma bem simples!

Não importa quantas vezes eu assisto a um evento da mostra do filme (centenas!) eu sempre fico de pe lá atrás para vivenciar o encerramento do filme com o Father Keating. Ha um saber palpável que cresce do publico – você pode sentir isso - pois o publico e lembrado que a verdade tem estado dentro de cada um desde antes que nasceram: TUDO E UM.

E uma realidade vivenciada agora...a interconectividade de todos. Tem um poder tremendo! Uma vez que assista ao filme….bem vindo ao clube.

Eliana: Qual foi o catalista na sua decisão de fazer esse Documentário?

Powers: Como varias pessoas, depois da tragédia do World Trade Center no dia 11 de Setembro de 2001, nos podíamos ver as pessoas no mundo inteiro prontas para desmoronarem. Estávamos todos pessoalmente nos perguntando como poderíamos fazer uma diferença nesse mundo e ai decidimos tentar criar um filme que lembraria as pessoas que SOMOS TODOS UM…que somos maravilhosos em nossas diferenças...que pertencemos uns aos outros.

Nossa esperança era que ao fazer as perguntas chaves e olharmos nos olhos nos tipos diferentes de indivíduos tentando formular respostas….haveria algo que nos lembraria que somos UM!

E … FUNCIONOU! Agora recebemos milhares de cartas de pessoas do mundo inteiro nos dizendo que esse filme mudou suas vidas!

Eliana: Você passou 2 anos nessa jornada que te proporcionou ouvir perspectivas diferentes e uma diversidade muito grande entre crenças espirituais e religiosas. Qual foi a chave em poder conectar com pessoas e permitir que sua vulnerabilidade viesse à tona?

Powers: Aceitação.
Não mera 'tolerância'—ou ate mesmo 'compreensão'... mas uma verdadeira aceitação.
As pessoas sabem a diferença! Se você esta simplesmente 'tolerando' as crenças das pessoas, elas sentem esse julgamento silencioso e irão se expressar de uma forma mais distanciada, mesmo que seja sutil. Entretanto, se você pode autenticamente olhar nos olhos dos ‘outros’ sem qualquer tipo de julgamento, eles querem compartilhar seus pensamentos mais profundos com você.

Talvez, um dos exemplos mais profundos disso no ‘SOMOS TODS UM: O filme e vivenciado na cena que envolve o morador de rua, um jovem chamado Chris Willis. O público no mundo inteiro fica emocionado com a vulnerabilidade desse jovem diante da câmera; porque representa todos nos. A parte que teme ser exposta. Ironicamente, a coragem desse jovem com sua vulnerabilidade no nosso filme tocou milhares de vidas! E como cineastas, humildemente participamos dessa jornada.

Eliana: Todo filme geralmente começa com uma visão e o cineasta tem algo a dizer, algo a expressar. Você pode falar mais sobre a sugestão de Ken Wilber em como você poderia abordar o documentário? Acredito que ele trouxe um elemento essencial de ‘tensão’ para o documentário.

Powers: Enquanto preparávamos o inicio da edição das seqüências de horas incontáveis de entrevistas de SOMOS TODOS UM, tivemos a rara oportunidade de encontrar e consultar com o Filosofo conhecido Ken Wilber sobre o tema da UNIdade. Entre os desafios que eles nos deixou, ficou o desafio de NAO fazer um filme ‘kumbaya’ de só apresentar um monte de opiniões parecidas…mas, permitir uma hierarquia de pensamento, criando um tipo de uma escada de ponto de vistas, e também incluir e transcender as perspectivas diversas sem comentários.

Como um contador de estórias, meu objetivo era modelar esses desafios em uma ‘tensão’ que seria resolvida ao longo do filme. Eu assisti essa parte do filme logo no inicio fazer com que o publico se sinta um pouco desconfortável… E, tudo bem. Eu as vezes brinco que deveria ter colocado um AVISO no inicio do filme -- "Por favor fique ate o final do filme. Tudo se resolverá!"

Eliana: Acredito que o Medo e a Paixão caminham lado a lado. E para mim a ‘tensão’ entre os dois se torna um ‘marco’ mais tarde. O que o Medo e a Paixão significam para você?

Powers: Meu amigo psiquiatra, Dr. Henry Woodworth (ele sugeriu a pergunta ‘não-verbal’ que e mostrada no filme) tem uma teoria de que o medo, NÃO o ódio, e o oposto do Amor. É interessante, como o medo tem sido um tema constante em construir ponto de vista mundiais e foi um tema que sempre surgiu durante várias entrevistas.

Ao editar o material de SOMOS TODOS UM, parecia natural criar o segmento da ‘tensão’…Porque: “O que cresce na realidade criada pela tensão dos opostos que discutimos anteriormente?” MEDO.

E, de fato, é a força da PAIXÃO – a vontade de transcender a contração do medo – que nos leva no dia a dia…no filme e na VIDA! É muito bonito.

Eliana: Você pode nos contar algumas das melhores coisas que aprendeu como um ser humano e como um cineasta nessa jornada?

Powers: Alguns anos atrás, nós partimos mundo afora com uma câmera de vídeo, uma lista de perguntas e um ‘mantra’: Nos somos TODOS UM. Naquela época eu acreditava que pegando as respostas por ‘aí afora’, a Verdade (com ‘V’ maiúsculo) da nossa UNIdade se tornaria conhecida. Mas com as experiências da nossa jornada comecei a refazer meu entendimento, eu percebi que faltava uma pergunta na nossa lista… uma pergunta que era realmente a concepção dessa odisséia: QUEM SOU EU?

Ha muita sabedoria a ser adquirida quando se olha ‘lá fora’ e realmente se tenta entender o mundo ao nosso redor. Mas, se ganha muito mais ao olhar profundamente no nosso interior para ver a lembrança de quem realmente somos – isso é ser ILUMINADO.

Em termos Budistas, eu provavelmente estou milhares de vidas distante de encontrar a verdadeira felicidade; mas, pelo menos estou tentando me divertir no ‘caminho’… o …meu caminho.

Talvez isso seja o que UNIDADE realmente significa?!

Eliana: Você gostaria de deixar uma mensagem para nossos leitores no Brasil?

Powers: Siga sua Felicidade. Você e a fonte da sua vida. Tudo existe dentro de você. Você tem o poder. Viva no momento. Você pode fazer a diferença. Você quer ir ao cinema hoje a noite?

Com Amor,
Ward Powers

 

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