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Dificuldades
e ataúdes No
dia 26 de fevereiro foram encerrados os trabalhos de exploração da tumba
para aquela temporada. A entrada foi novamente obstruída e os arqueólogos
recolheram-se a um laboratório montado numa das tumbas do Vale onde a
temperatura média era de 38 graus.
Lorde
Carnarvon tinha a sua saúde cada vez mais abalada por causa do calor no
Egito. A 5 de abril morreu no Cairo. Os
jornais do mundo inteiro
atribuíram a morte de Carnarvon
a uma maldição na tumba de Tutankhamon, porém
jamais foi encontrado qualquer indício de que houvesse uma maldição na
tumba.
Quando
foram retomados os trabalhos de pesquisa na tumba, 80 dias foram gastos
para a desmontagem das quatro capelas douradas. Exposto o sarcófago de
quartzito, verificou-se que a sua tampa era de granito pintado de amarelo
para não destoar do conjunto. Mais um detalhe: a tampa estava rachada
ao meio. Pode ter se quebrado na hora do transporte para a tumba. Ainda
se passariam dez meses até que se chegasse à
múmia de Tutankhamon.
Todo
esse tempo decorreu com Carter envolvido com problemas junto ao Serviço
de Antiguidades. Eram problemas que envolviam o acesso dos funcionários
daquele Serviço à escavação. A imprensa local também se sentia prejudicada
pois a exclusividade de cobertura havia sido dada ao "Times".
Pierre Lacau criava cada vez mais dificuldades para Carter.
O arqueólogo, inclusive, esteve envolvido em um processo junto à justiça
egípcia. Dificuldades à parte, o fato e que a 13 de fevereiro Carter suspendeu a tampa de granito de duas toneladas que estava sobre o sarcófago de pedra, chegando ao primeiro ataúde do rei-menino. O ataúde estava envolto em uma mortalha de linho e lembrava a imagem do deus Osíris.
As mãos da imagem estavam cruzadas sobre o peito e traziam os emblemas da monarquia egípcia (o cajado e o látego), incrustados de pasta de vidro azul e vermelho, assim como o abutre e a serpente erigidos à frente da testa do rei. Esse
ataúde era feito de madeira recoberta de ouro. As chapas sobre o rosto
e as mãos desse ataúde eram ligeiramente mais escuras. Observou-se, também,
que um pedaço dos pés deste ataúde teve de ser cortado para que entrasse
no sarcófago de pedra. O conjunto estava abundantemente coberto pelos
ungüentos vertidos no momento dos funerais.
Mais dificuldades de relacionamento entre Carter e Lacau fizeram com que fosse cancelada a concessão de escavação para aquela temporada. Carter havia deixado a tampa de granito suspensa sobre o sarcófago de pedra. Dentro, o ataúde dourado era ameaçado por aquele pêndulo. O Serviço de Antiguidades mudou as trancas da tumba, desceu a tampa de granito e proibiu a entrada de Carter na escavação.
Em 21 de março Carter deixou o Cairo sem saber se voltaria ao Egito. O Serviço de Antiguidades, então, fez um cuidadoso inventário de tudo o que existia na tumba e no laboratório.
Em 25 de janeiro de 1925 Carter regressou ao Vale dos Reis, já dissipadas as animosidades com o governo egípcio. Os trabalhos científicos continuaram. O sarcófago de pedra foi novamente aberto e o ataúde foi retirado do seu interior. O pequeno guindaste que fazia o serviço gemia sob um enorme e inexplicável peso. No dia 10 de outubro o ataúde foi aberto. Como no primeiro, havia uma mortalha que cobria o segundo ataúde. Este
também era de madeira chapeada de ouro, porém muito mais esplêndido que
o anterior. Mostrava a imagem do rei como o deus Osíris. Envolvendo este
ataúde havia um colar de flores naturais. Quando
o segundo ataúde foi aberto, foi explicado o peso excessivo do conjunto.
Havia um terceiro ataúde, de 1,80 m de comprimento. Era de ouro maciço
com uma espessura que chegava a 15 mm em algumas partes. Neste ataúde
as asas das deusas Ísis e Néftis abraçavam o corpo do faraó. As deusas
Nekhabit e Wadjet envolviam as pernas do soberano das Duas Terras.
No dia 28 de outubro de 1925 este ataúde foi aberto. Foi revelado um espetáculo indescritível: a múmia do rei, parcialmente carbonizada pelo acúmulo de ungüentos vertidos no momento dos ritos funerários, estava coberta por uma máscara mortuária de uma beleza ímpar. Era
o retrato fiel do faraó-menino. Essa máscara tinha sido feita de 16
Kg do mais puro ouro, incrustrada de pedras e pasta de
vidro colorido. Uma baixa cama de madeira, que recordava o corpo de um leão, suportava os três ataúdes que, juntos, pesavam mais de 1.375 Kg. Só o de ouro pesava 1.100,4 Kg.
A múmia do rei foi levada para o Departamento de Anatomia da Universidade do Cairo e posta aos cuidados do Dr. Derry, professor de Anatomia daquela Universidade. Segundo
os seus cálculos, o rei tinha 1,67 m quando morreu. O corpo ressecado
tinha 1,63 m. No trabalho de desenfaixamento do corpo foram encontradas mais de 143 jóias de ouro, distribuídas sobre o corpo de Tutankhamon. A
quase totalidade dessas jóias havia sido produzida especialmente para
os ritos funerários do rei.
Não se conseguiu apurar a causa da morte de Tutankhamon. A múmia estava realmente muito maltratada. O rosto havia escapado, um pouco, da ação corrosiva dos óleos utilizados nos ritos funerários e apresentava uma cicatriz com indícios de ser antiga, muito provavelmente oriunda de um ferimento que recebera quando ainda criança. |
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