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Hipnose e Regressão

O que é hipnose

Popularmente falando, hipnose é um estado em que a pessoa fica altamente sugestiva. Poderíamos definir hipnose como um estado de vigília, estado este em que nossa atenção passa de uma coisa para outra rapidamente, pula pra lá e pra cá, vagueia, se distrai, etc. Esse, o estado “normal”. O estado hipnótico é definido como um estado de atenção concentrada, quando nossa mente está ligada numa só coisa, “esquecendo-se” das outras. É um foco de atenção concentrada, diferenciando-se também do sono.

Origem

Desde a mais remota antiguidade o homo sapiens viveu e usou a hipnose, quer consciente ou inconsciente. No antigo Egito, os sacerdotes induziam o estado hipnótico com objetivos de cura de diversos males e afecções, aliviando dores e recuperando a saúde de seus pacientes. É conhecido que os antigos rezadores, mágicos, faquires, curandeiros, todos praticavam várias formas de hipnotismo. Nos tempos de Genghis Khan, eram praticadas sessões de hipnose em grupo, para se obter alucinações visuais e auditivas.

No século XI, Avicena, médico iraniano, afirmava que a imaginação era capaz ou de curar ou tornar as pessoas doentes. Já no século XVI, Paracelsus, divulgava a crença na cura magnética das estrelas, fabricando amuletos zodiacais. Magia, misticismo e religiosidade, imaginação, profecias e mensagens dos deuses: induzia-se hipnose para cantos, orações, rituais, “estados de transe” “baixar o santo” etc.

A era moderna da hipnoterapia começa com Franz Anton Mesmer (1734 a 1815), médico austríaco, com o seu “magnetismo animal”, realizando vários tratamentos com anestesia hipnótica. Depois, John Elliotson, médico assistente no St. Thomas Hospital, fez pesquisas com o então conhecido mesmerismo.
Seguiu-se então James Esdaille (1808 a 1859), que trabalhou na Índia, tendo apoio governamental, realizando cerca de 300 operações de grande vulto sob hipnose.

Aparece então James Braid, um cirurgião Inglês, nascido 1795, estudando hipnose em 1841. Através de suas pesquisas, a hipnose ganhou o foro de ciências, sendo então denominada de hipnotismo ou hipnose, ao invés de mesmerismo, facilitando o começo de sua aceitação pela profissão médica. Charcot (1835 a 1893), Escola de Salpetiére, França, rotulou a hipnose como um estado patológico de dissociação, relacionando a hipnose ao processo histérico e à anormalidades no sistema nervoso. Freud (1856 a 1939) interessou-se pela hipnose, estudando seu efeito na cura de seus pacientes. A desinformação da época e o mau emprego da hipnose fizeram-no abandonar a hipnose como ferramenta de trabalho.

Pavlov (1849 a 1936), médico russo, acercou-se da hipnose no seu estudo sobre a neurofisiologia, comprovando seus efeitos nos sistemas de excitação e inibição do sistema nervoso humano. Nas duas grandes guerras mundiais, através da sua Associação Médica, aprova oficialmente a hipnose como ferramenta terapêutica; em 1958 o mesmo acontece nos USA, pela Associação Médica Americana. Milton Hyland Erickson (1901 a 1980), médico psiquiatra e psicólogo norte-americano, estudou durante toda a sua prolífera e profícua práticas clínica a ciência da hipnose, modernizando-a, revelando-a como uma manifestação normal da mente humana, mostrando sua existência e efeitos na vida cotidiana.

Regressão

A regressão é um dos fenômenos hipnóticos que se origina a partir da hiperminésia (lembrar vividamente de uma circunstância). A terapia regressiva é o ato mental de voltar a um tempo anterior, qualquer que seja este tempo, a fim de resgatar lembranças que podem continuar a influir negativamente na vida atual dos pacientes e que são provavelmente a fonte de seus sintomas. A regressão de idade é também um fenômeno natural do transe. Ela pode ser induzida ou espontânea. Muitas vezes ocorre lembranças espontâneas ao se induzir um transe hipnótico, geralmente são lembranças da infância de fatos marcantes ou dolorosos.

Utilidade

A hipnoterapia serve para qualquer caso clínico, como por exemplo: hipertensão, úlcera, impotência, ejaculação precoce, vaginismo e frigidez, depressão, fobias, síndrome do pânico, asma etc. A criação de um sintoma é uma forma de linguagem metafórica de algo que se passa dentro do ser humano. Funciona como um sistema de alarme. Assim, se alguém tem um sintoma psíquico ou somático, ele tem algo que se intercomunica aos dois sistemas. Como dizia Freud: “... nada é meramente psíquico... nada é meramente somático...”

Regulamentação

Somente no ano 2000 o CRP – Conselho Regional de Psicologia regulamentou o uso da hipnose como instrumento da psicologia (Resolução nº 013/00) no Brasil. Portanto, hoje, o melhor caminho para um tratamento com hipnose é a escolha de um profissional qualificado. Existem no Brasil, vários cursos para formação de hipnoterapeutas, voltado para psicólogos, médicos, psiquiatras e profissionais da área de saúde.


Mitos

Alguns mitos sobre a hipnose que comprometem o conhecimento e a aceitação desta como uma ferramenta muito boa de ajuda às psicoterapias:

A hipnose é causada pelo poder do hipnotizador – Na verdade, a hipnose não acontece apenas pelo poder do hipnotizador, mas pela aceitação e interação da pessoa que entra em transe e deseja experienciar aquilo que se pede. A hipnose acontece num campo de interação e confiança.

Nem todo mundo pode ser hipnotizado – Um hipnotizador habilidoso, numa boa interação com seu cliente, trabalhando a confiança e a motivação, leva seu cliente ao transe. Em tese, todo mundo pode ser hipnotizado.

A hipnose pode ser prejudicial à saúde – A hipnose não causa danos, se usada por pessoas competentes e bem-intencionadas. Pessoas inescrupulosas sugerem a melhora extrapolando os limites de seu cliente.

Pode-se tornar dependente de hipnose – Quando as pessoas procuram por ajuda, estão de certa maneira dependentes do profissional que as atende. Mas, à medida que vão curando, esta dependência acaba.

A pessoa pode não voltar do transe, ficar presa nele – Não é possível; o máximo que acontece é a pessoa adormecer, que seria o passo seguinte ao transe profundo e pode ser acordado.

A pessoa fica inconsciente em transe – A hipnose é um estado de atenção focalizada, o que não quer que você perca a consciência. É só no transe profundo é que ocorre a amnésia total.

Há perigos na hipnose – Por ser uma técnica que trabalha o desconhecido, a mente inconsciente do ser humano, pede-se cautela e escrúpulos. Assim, a hipnose exige a formação do profissional, preparo e habilitação reconhecidos para lidar com psicoterapia e um bom estudo da mente humana (psicanálise, estudo de psicoterapias, psicopatologia).

Uma pessoa hipnotizada revela seus segredos – Este é um conceito errado. Pensar que a pessoa pode confessar seus segredos como se estivesse sob efeito de drogas é falso. Ela falará, se assim o quiser.

Filme indicado - O Mistério da Libélula


Bibliografia
Bauer, Sofia M. F. – Hipnoterapia ericksoniana passo a passo – 2002 – Editora Livro Pleno
Feitosa, Nelson – A Auto Hipnose e Voce – 1998 – Editora Vertente
Matos, Dr. Augusto Gomes de – Parapsicologia – Gráfica Auriverde

Abraços Fraternos
Paz e Luz em seu caminho!
MisteriosAntigos.Com

Créditos
Paulo de Tarso F. de Queiroz
Hipnoterapeuta
paulotarsoqueiroz@gmail.com

 

 

 

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