Cultura
ou culturas?
Devemos
falar de uma só cultura ou de muitas culturas? Mesmo dentro
de um país, existe uma cultura homogênea, ou várias
culturas que se sobrepõem, coexistindo lado a lado?
Na
verdade, basta olhar ao nosso redor para sabermos que há
muitas culturas dentro de cada país. No caso do Brasil,
temos contribuições culturais da colonização
pelos portugueses, dos povos indígenas que habitavam estas
terras, dos africanos que foram trazidos como escravos, dos imigrantes
italianos, alemães, japoneses, coreanos. O que mantém
a unidade, entretanto, entre essas várias culturas é
a ocupação de um mesmo território, o uso
da mesma língua, o compartilhamento de uma mesma história
nacional.
É
possível, entretanto, falar também de cultura caipira,
cultura rural, cultura sertaneja, cultura urbana, cultura nordestina,
cultura paulista, cultura carioca e assim por diante, apenas considerando
a diversidade geográfica do país e os diferentes
tipos de vida de cada um desses grupos.
É
só comparar a cultura do Rio Grande do Sul com a do Amazonas
para sabermos que as diferenças também são
imensas. Do ponto de vista geográfico, o estado do Rio
Grande do Sul é dominado pelos pampas, ou seja, por grandes
planícies de vegetação rasteira, adequadas
para a criação de gado em grandes fazendas. O clima
é subtropical, com quatro estações bem demarcadas.
O tipo de ocupação dessas terras dá origem
à cultura gaúcha, da qual fazem parte o chimarrão,
a bombacha, a chimarrita, o churrasco feito a céu aberto,
um vocabulário adequado às necessidades e tradições
da região. Essa cultura, ainda hoje, é preservada
nos Centros de Tradição Gaúcha, que se encarregam
de transmiti-la a crianças e jovens, mantendo-a viva no
cotidiano de seu povo.
Na
Amazônia, ao contrário, a presença da floresta,
dos grandes rios e dos igarapés, das várias tribos
indígenas levam ao florescimento de uma outra cultura,
mais ligada ao modo de vida ribeirinho, dependente da pesca e
da coleta. As histórias, as festas, os mitos fazem menção
aos animais da floresta que trazem sorte ou azar, mesclando-os
a personagens da corte portuguesa.
Texto
original: Profa. Dra. Maria Helena Pires Martins
Edição: Equipe
EducaRede
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