Cultura
Contemporânea
A cultura
contemporânea, também chamada de pós-moderna,
caracteriza-se pela flexibilização das fronteiras
entre erudito e popular, tradição e novidade, cultura
letrada e cultura oral, cultura regional e cultura global, cultura
dominante e cultura dominada. Caracteriza-se também pela
fragmentação entre múltiplas afiliações,
preferências, papéis sociais, etnias, gêneros
e assim por diante.
A cultura
do livro, da leitura de um texto, que demanda um tempo de trabalho
visando à compreensão das idéias do autor,
um tempo emocional para entrar no universo aberto pela história
e pela temática, vem sendo substituída pela cultura
que se poderia chamar de audiovisual: em parte, uma cultura oral,
passada de boca em boca, comentada em cada esquina, repetida por
muitos; em parte, uma cultura visual, da imagem. Esse modo cultural
contemporâneo é sustentado pelo entretenimento, pela
publicidade, mas também pela moda, que oferece, com rapidez,
aquilo que se poderia desejar sem demandar grandes esforços.
Por exemplo, no videoclipe, o que importa é que nos entreguemos
ao desfile de imagens e sons, às eventuais emoções
que eles possam suscitar, sem precisar procurar um fio narrativo
ou tentar estabelecer ligações de sentido entre
letra, imagem e som.
A
cultura do entretenimento, ao oferecer o mundo como espetáculo
constante, a ser consumido e descartado a cada novo momento, propicia
a falta de reflexão, a imitação
de padrões às vezes inadequados às
necessidades sociais do grupo ou pessoais, a confusão entre
realidade e ficção. Como exemplo, podemos citar
a eleição a cargos públicos de tantos profissionais
do entretenimento, sejam eles cantores, atores de cinema, ou apresentadores
de programas sensacionalistas de rádio ou de televisão,
como o caso de Afanásio Jazadi (eleito deputado estadual
por São Paulo em 1986) que se promoveu à custa de
exibir o mundo do crime.
A publicidade
também projeta, por meio de imagens e trilhas sonoras,
aquilo que gostaríamos de ser, mesmo que não o sejamos.
Sempre se pode usar o produto, em lugar da qualidade anunciada.
E, nessa tarefa, a moda também ajuda a projetar a imagem
que se faz de si mesmo ou que gostaríamos que os outros
fizessem de nós. O que não se pode esquecer, entretanto,
é que a imagem, apesar de mais concreta do que a palavra,
é certamente mais ambígua, e seu sentido precisa
ser interpretado com cuidado. A imagem se apresenta no espaço
e pode ser percebida em um relance, em um instante. Entretanto,
para que sua leitura seja mais completa e profunda, precisamos
de tempo para analisá-la. Quais são os valores que
a imagem projeta? Que elementos ali presentes compõem a
mensagem? Como eles se articulam entre si, ou com os textos verbal
e musical? O que dizem do contexto de produção?
Como se ligam ao contexto de consumo?
A
cultura contemporânea é plural, oferece
inúmeras possibilidades de identificações
diferentes, simultâneas ou não. Será ela,
contudo, mais democrática? Ou será que só
cria a ilusão de inclusão, de permissão
de múltiplas escolhas? Devemos sempre nos lembrar que,
para escolher livremente, precisamos conhecer
as alternativas e o que elas significam em termos de direitos,
deveres e conseqüências.
Texto
original: Profa. Dra. Maria Helena Pires Martins
Edição: Equipe
EducaRede
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